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Jaka Jamba

Escritor

  • Nome : Almerindo Jaka Jamba
  • Idade : 21/03/1949 ( 77 )
  • Naturalidade : Huambo
  • E/Civil: Desconhecido
  • Data na lea : 03/07/2025

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Biografia

Almerindo Jaka Jamba nasceu em 21 de março de 1949, em Huambo, no Planalto Central de Angola, numa família de classe média profundamente influenciada pela Missão Evangélica do Dondi. Seu pai, Tavares Hungulu Jamba, foi um produto dessa missão, tendo fundado uma escola na sua propriedade privada em Catchilengue, nos arredores de Cachiungo. A família Jamba era conhecida pelo seu compromisso com a educação e os valores cristãos, que moldaram a formação inicial de Almerindo. O ambiente cultural e intelectual da missão proporcionou-lhe uma base sólida para sua futura trajetória como acadêmico e nacionalista.

Desde cedo, Jaka Jamba destacou-se pela sua inteligência e curiosidade. Seu irmão mais novo, Sousa Jamba, descreve-o como uma das pessoas mais inteligentes que conheceu, um testemunho reforçado pelo privilégio de Almerindo ter interagido com intelectuais de renome ao longo de sua vida. A tradição local de um irmão mais velho nomear um recém-nascido levou Almerindo, então com 17 anos, a escolher o nome "Ivan" para seu irmão Sousa, inspirado por sua leitura de uma obra de Tolstói, refletindo já na adolescência seu interesse por literatura e filosofia.

Educação e Formação em Portugal (1960s–1972)
Com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, Almerindo Jaka Jamba partiu para Portugal na década de 1960 para estudar História e Filosofia na Universidade Clássica de Lisboa. Este período foi crucial para sua formação intelectual e política. Em Lisboa, ele entrou em contato com outros estudantes africanos de colônias portuguesas, o que despertou sua consciência sobre o passado e o destino comum dos povos africanos. Foi nesse ambiente que ele desenvolveu um profundo interesse pela história africana, especialmente pelo nacionalismo que começava a florescer em Angola e outras colônias.

Durante sua estadia em Lisboa, Jaka Jamba também se envolveu ativamente com a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), aderindo ao movimento em 1972. Sua militância em Portugal marcou o início de seu compromisso com a luta pela independência de Angola, num contexto em que o colonialismo português enfrentava crescente resistência.

Exílio e Engajamento Político (1972–1975)
Após deixar Lisboa em 1972, Jaka Jamba mudou-se para a Suíça, onde continuou seu ativismo político. Durante esse período, Angola vivia sob a repressão dos serviços secretos coloniais, a PIDE, o que gerava grande ansiedade para sua família, que temia por sua segurança. Apesar da distância, Almerindo manteve-se envolvido com a causa nacionalista, preparando-se para desempenhar um papel ativo na luta pela independência.

Com a Revolução dos Cravos em Portugal, em 25 de abril de 1974, o cenário político mudou drasticamente. Jaka Jamba regressou a Angola e dirigiu-se para o leste do país, onde a liderança da UNITA estava baseada. Sua chegada marcou o início de sua participação direta na turbulenta história de Angola, num momento em que o país se preparava para a independência.

Papel nos Acordos de Alvor e Governo de Transição (1975)
Em 1975, Jaka Jamba integrou a delegação da UNITA que negociou os Acordos de Alvor, assinados no Algarve, Portugal, com o governo português e os movimentos de libertação FNLA e MPLA. Esses acordos estabeleceram as bases para a partilha de poder em Angola após a independência. Como resultado, Jaka Jamba foi nomeado Secretário de Estado da Informação no Governo de Transição, compartilhando responsabilidades com representantes do MPLA (Rui Monteiro) e da FNLA (Hendrick Vaal Neto). Esse papel colocou-o no centro das negociações políticas que antecederam a independência de Angola, em novembro de 1975.

Guerra Civil e Militância (1976–1992)
Com o início da guerra civil angolana em 1976, Jaka Jamba assumiu um papel militar dentro da UNITA, participando em operações armadas em algumas ocasiões. Durante esse período, ele também desempenhou cargos de destaque no partido, como Secretário de Educação, Informação, Negócios Estrangeiros, e Cultura e Herança Africana. Sua atuação combinava o rigor intelectual com o compromisso político, mantendo viva sua paixão pelo conhecimento mesmo em tempos de conflito.

Entre 1986 e 1988, Jaka Jamba residiu na Jamba, a capital do território controlado pela UNITA na época. Durante esse período, ele manteve uma biblioteca e um jardim em sua casa, um testemunho de sua dedicação à cultura e à reflexão mesmo em meio à guerra. Suas conversas com o irmão Sousa, durante longos passeios, revelavam sua profundidade intelectual, com citações de Sócrates e reflexões sobre a importância de uma vida examinada.

Contribuições Literárias
Almerindo Jaka Jamba deixou um legado significativo como autor, com obras que refletem sua profundidade intelectual e compromisso com a cultura e educação africanas. Entre seus livros destacam-se: Ecos de Colina: Memórias e Testemunhos, uma coletânea de reflexões e relatos que documentam sua trajetória pessoal e política, oferecendo uma visão íntima de sua vida e da história angolana. O Despertar Filosófico em África de Alphonse Elungu Pene Elungu: Uma Referência Permanente para o Conhecimento do Pensamento Filosófico Africano, uma análise profunda do pensamento filosófico africano, com foco na obra de Alphonse Elungu, destacando a relevância da filosofia no contexto africano.

Povos e Culturas - Inovação Educativa: O Ensino e a Promoção das Línguas Africanas nos Programas Escolares nas Zonas Libertadas da UNITA em Angola, um estudo sobre a importância de integrar línguas africanas nos currículos escolares, baseado nas experiências educacionais nas áreas controladas pela UNITA durante a guerra civil.

As obras demonstram seu compromisso com a preservação da identidade cultural africana e com a promoção da educação como ferramenta de emancipação.

Carreira Parlamentar e Diplomática (1992–2008)
Com os acordos de paz que marcaram o início dos anos 1990, Jaka Jamba transitou para papéis políticos e diplomáticos. Em 1992, foi nomeado segundo vice-presidente da Assembleia Nacional e porta-voz do grupo parlamentar da UNITA, posições que ocupou até 2005. Durante esse período, ele foi reconhecido como uma figura de consenso, capaz de dialogar com diferentes atores políticos.

De 2005 a 2008, Jaka Jamba serviu como Embaixador Delegado Permanente de Angola junto à UNESCO, em Paris, um período que ele descreveu como o apogeu de sua carreira. Sua atuação na UNESCO reforçou sua reputação como diplomata e homem de cultura, promovendo a educação, a ciência e a herança cultural africana em fóruns internacionais.

Últimos Anos e Legado (2008–2018)
Após seu retorno a Angola, Jaka Jamba continuou a contribuir para a sociedade angolana como professor da Universidade Agostinho Neto e deputado na Assembleia Nacional, integrando a 6ª Comissão, responsável por assuntos de Saúde, Educação, Ensino Superior, Ciência e Tecnologia. Sua dedicação ao ensino e à pesquisa reflete sua autodescrição como "o estudante mais velho da sala", sempre em busca de conhecimento.

Em 1º de abril de 2018, Almerindo Jaka Jamba faleceu em Luanda, aos 69 anos, vítima de um acidente vascular cerebral. Sua morte gerou comoção em Angola, com tributos de figuras como o jornalista Reginaldo Silva e o jurista Alberto Nunes, que destacaram sua humildade, sabedoria e compromisso com o país. Alcides Sakala, porta-voz da UNITA, descreveu-o como um "homem de cultura, humanista, africanista, nacionalista, patriota, historiador e filósofo".

Impacto e Legado
Jaka Jamba foi uma figura multifacetada: filósofo, historiador, militar, diplomata, legislador, professor e autor. Sua vida reflete a complexidade da história angolana, desde a luta pela independência até a construção de uma nação democrática. As entrevistas compiladas por sua esposa, Miraldina Jamba, oferecem uma visão detalhada de sua trajetória, destacando sua curiosidade intelectual e seu papel em momentos-chave da história de Angola.

Como patrono da cadeira 72 da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura (ABRASCI), Jaka Jamba deixou um legado que transcende fronteiras. Suas contribuições literárias, especialmente suas obras sobre filosofia africana e educação, reforçam sua dedicação à valorização da cultura e do conhecimento. Sua vida examinada, como ele próprio citava Sócrates, permanece como um exemplo de dedicação e integridade.

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