Mestre Petchu é um dos nomes mais respeitados da dança angolana, reconhecido pelo seu papel na valorização e ensino de estilos como a Kizomba e o Semba. Com uma longa trajetória dedicada à cultura, tornou-se uma referência tanto em Angola como no estrangeiro, ajudando a levar a identidade da dança angolana a novos públicos.
Ao longo dos anos, destacou-se não só como bailarino, mas também como formador. Foi um dos pioneiros na organização e estruturação do ensino da Kizomba e do Semba, criando métodos que facilitam a aprendizagem e preservam a essência dessas danças. O seu trabalho contribuiu para que muitos estudantes, dentro e fora de África, compreendessem melhor a história e o significado por trás dos movimentos.
Mais do que técnica, Mestre Petchu transmite contexto. Nas suas formações e conversas, costuma abordar a história de Angola — marcada por períodos difíceis como a escravatura, o colonialismo e a guerra — e como tudo isso influenciou profundamente a música e a dança do país. Para ele, dançar é também uma forma de expressão emocional e de resistência cultural.
Numa das suas visitas internacionais, esteve na Cidade do Cabo, por ocasião do primeiro festival de dança angolana na cidade, pouco antes das celebrações dos 50 anos da independência de Angola. A sua presença foi marcante, não apenas pelas aulas e apresentações, mas pela forma simples e envolvente como partilhou conhecimento e experiências.
Mestre Petchu é frequentemente descrito como alguém acessível, humilde e apaixonado pelo que faz. A sua forma de comunicar aproxima as pessoas da cultura angolana, mostrando que, por trás da música e da dança, há histórias profundas. Como ele próprio resume: mesmo nos momentos difíceis, o povo encontra formas de se expressar — “choramos, mas dançamos”.