Alzira Simões nasceu a 11 de janeiro de 1968, em Nova Lisboa (actual Huambo), Angola. A infância foi marcada por desafios que exigiram força e disciplina: usou aparelho nas pernas e, desde os sete anos até à universidade, conciliou o trabalho com os estudos, sempre ajudando a família. Apesar das dificuldades, era uma criança bem‑disposta, brincalhona e curiosa.
Ainda jovem, já em Portugal, participou em teatro e trabalhou em restauração. Na adolescência, foi coordenadora e locutora numa rádio local em Braga, no tempo das “rádios piratas”, alimentando o desejo de seguir comunicação social. Não entrou por meia décima e acabou por ingressar em Antropologia e Sociologia — áreas que não viria a exercer profissionalmente, mas que moldaram a sua forma de ver o mundo.
Com mais de três décadas dedicadas ao ensino e à formação, tornou‑se docente universitária nas áreas de Recursos Humanos e Ciências Sociais e Humanas, formadora profissional certificada e consultora de RH. Participou em inúmeras ações de formação tanto em Angola como em Portugal, sempre guiada pela ideia de que ensinar é “acender pequenas luzes” e de que aprender é um processo contínuo.
A arte ocupa um lugar essencial na sua vida. Encontra na literatura, na poesia e na pintura um espaço de liberdade emocional e expressão íntima. Gosta de declamar e considera a arte profundamente terapêutica. É fundadora do LiterArte, projecto que aproxima literatura às artes plásticas e dá palco a novos talentos, e é madrinha da Escolinha Criar e Crescer. Mantém também presença no YouTube, no canal “Alzira Simões – Poetando”, onde partilha leituras, poemas e reflexões.
Ao longo da carreira, viveu entre Angola e Portugal, experiências que lhe deram “olhares diferentes sobre a mesma humanidade”. Em Portugal aprendeu exigência e leitura crítica; em Angola, resiliência, criatividade e a capacidade de fazer acontecer mesmo em caminhos estreitos. Como mulher, enfrentou momentos de exigência e incompreensão, mas também descobriu alianças e conquistas que reforçaram a importância da persistência e da firmeza com empatia.
Integra o G100 Angola – Global Networking Wing, onde lidera a área de Cultura & Artes, contribuindo para valorizar mulheres criadoras e fortalecer projectos culturais.
Fora do trabalho, procura equilíbrio em exposições, teatro, concertos, leitura, pintura, ginásio, silêncio, família e amizades verdadeiras. Aprendeu a parar, respirar e lembrar que também é pessoa — não apenas função.
Hoje, depois de uma vida dedicada à educação, à cultura e ao desenvolvimento humano, continua a sonhar com a criação de uma galeria/atelier LiterArte que una arte, literatura, educação e humanidade. O seu percurso é marcado pela simplicidade, pela sinceridade e por uma profunda crença nas pessoas.