só nos olhos conservo o sonho.
e no íntimo
guardo recordações amargas
do género dito humano.
as mãos trago-as vazias
mas volto rico de presentes
para todos vós, camaradas.
minha bagagem de escravo forro, ei-la:
um punhado de folhas soltas
contendo meus versos tristes
sabendo a fome e maresia.
as mãos trago-as vazias
e minha bagagem são só versos tristes…
mas para vós, camaradas
trago um peito aberto
para as dores do nosso sofrer
trago os braços abertos
para a solidariedade dum abraço.
volto de mãos vazias
de mãos vazias sim, camaradas
mas nos olhos conservo o sonho.
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